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Entre Deus e o Diabo



Entre Deus e o Diabo existe a libido, ponto definidor de todas as religiões, ponto sobre o qual todas as crenças foram edificadas – o controle do prazer. Todas as religiosas estabelecem regras sobre o uso dos prazeres, e um deles é o maior de todos, o sexo.


A questão do sexo é um tema debatido há milênios. Na série anterior, feita em conjunto com Mauro Lopes no canal Paz e Bem, discutimos longamente a perseguição imposta pelos seguidores do Deus Único, portanto dos monoteístas contra os politeístas, que eram defensores da multiplicidade de deuses e deusas, com ênfase na Deusa Mãe.



As manifestações politeístas se expressavam através dos rituais de fertilidade, pois a natureza é sexuada e se reproduz através das flores, dos pirilampos, dos animais e dos seres humanos. Fertilidade e reprodução faziam parte da Natureza e eram entendidas como fundamentos para a sobrevivência do planeta e das espécies. O sexo estava integrado às concepções religiosas e era sagrado.


No entanto, com a chegada do patriarcado, os rituais de fertilidade, foram condenados pelos seguidores do Deus Único, que viam neles a fonte de perdição humana. Esse tema foi ampla e longamente discutido tanto pelos cristãos gnósticos, como pelos doutores da Igreja desde o primeiros tempos do cristianismo, entre eles Santo Agostinho (e posteriormente por Hildegard von Bingen).


O desejo sexual é chamado de Libido. Em 1920 Sigmund Freud escreveu que a libido é uma energia necessária, que ela vai além da sexualidade e do prazer, e que está presente em todas as áreas da nossa vida. Para Freud, o monoteísmo cristão, estabeleceu normas para a prática sexual e impôs sua crença pela força. Por isso, junto com a crença em um único Deus nasceu a intolerância religiosa.


Carl Gustav Jung vai mais longe que o mestre e define libido como sendo toda a energia psíquica,e considera que essaenergia é semelhante ao conceito oriental de prana e chi, ou seja, é a energia que mantém a vida, o esforço e a vontade para realizar algo.


Michel Foucault escreveu uma obra magistral História da Sexualidade no Ocidente. Os pensadores gregos, dizia Foucault, ensinavam que o modo de fazer sexo determinava a posição de alguém no mundo: ativo x passivo, penetrante x penetrado, senhor x escravo... O sexo era determinado pela relação que se estabelecia com o outro. E Foucault continua, o cristianismo fez emergir uma nova concepção, que foi transformadora. Depois dele, o mais importante não é: com quem COM QUEM alguém faz sexo. Mas, QUEM SOU EU quando faço sexo? Que tipo de relação EU estabeleço com o outro?


Para Foucault, o que está em questão no ato sexual é a essência íntima de cada um, e não mais com quem cada um mantém relações sexuais. O desejo sexual conduz o ser humano a sondar a si mesmo e a testar os limites de sua vontade: “Quero, mas não faço”; Posso, mas não devo”, ou seja, aquele que tem o domínio e o controle de si.



Os três principais teóricos da sexualidade ocidental beberam na fonte daquele que primeiro teorizou sobre o assunto: Santo Agostinho. Ele foi pioneiro alançar as bases sobre os três tipos de desejos, que corretamente chamou de LIBIDO:

- Libido sciendi, desejo de conhecimento;

- Libido sentiendi, desejo sensual em sentido mais amplo =Cobiça por bens materiais

- Libido dominandi, desejo de dominar. Ganância por poder e dinheiro.

No entanto, quando esse desejo é desmedido, ele se torna Concupiscência.


Nas suas obras principais Confissões e Cidade de Deus, assim como e em vários sermões, Agostinho retomou inúmeras vezes o tema do desejo e da concupiscência. Diz ele que o desejo aparece numa variedade de formas: de vingança; avareza, desejo de posse, de riquezas ... E, nessa linha, Agostinho explanará longamente sobre os apetites corporais: a gula e o desejo sexual.



Para Agostinho, a libido foi a causa punitiva do pecado original. Para ele, a folha de parreira não foi colocada porque Adão e Eva descobriram que estavam nus, mas porque eles precisavam esconder sua excitação sexual. Agostinho está falando das ereções involuntárias de Adão. Ele diz textualmente: “o pudor fazia-os cobrir os membros que sua libido movia desobedientemente, contra sua vontade”. No entanto, Agostinho erra ao tratar “os membros” no plural, já que a excitação feminina não se dá da forma que ele descreve.


Para Agostinho, o desejo e o prazer foram concedidos pela divindade ao ordenar: “crescei e muliplicai-vos”. Contudo, quando a libido se movia desobediente e contra a vontade de Adão, ela passou a ser um problema que se sobrepôs ao querer voluntário, e isso era uma doença. E ele conclui que, apenas o matrimônio pode tratar desta doença. Embora que, mesmo dentro do matrimônio, o prazer precisa ser controlado e deve ser limitado à reprodução. Dessa forma, cumpre-se a ordem divina, entretanto, com o mínimo de voluptuosidade possível.


Agostinho explica que, antes da queda, Adão dispunha de controle absoluto sobre seu corpo. Logo, podia ter uma sexualidade sem pecado, porque tudo estava sob o controle do espírito. Para ele, o ato sexual não é em si um mal, desde que praticado sob uma “vontade justa” (ele gostava muito dessa palavra = guerra justa, vontade justa), ou seja, disciplinado. E ele continua, é preciso purificar-se das tentações representadas pela libido. A libido descontrolada se espalha para as ambições sociais. Para Agostinho,era preciso não apenas ter um comportamento sexual conforme às lei morais, ditadas pela Igreja, mas, ter seus desejos sob as rédeas curtas da sua própria vontade. Na verdade, ele não inovou tanto assim, pois Sidarta Gautama, o Buda, dizia que os desejos são a fonte de todo sofrimento.


Agostinho conclui que o casamento é a única forma justa para a prática sexual, muito embora a vida perfeita continuasse sendo a vida celibatária. Somente a renúncia total dos desejos permite vencer a libido e alcançar a verdadeira pureza da alma e do corpo.


Agostinho defende que o melhor caminho para chegar à Cidade de Deus é o celibato. Porém, para aqueles que não conseguem ou não querem se privar dos prazeres, ele entende que o melhor é o casamento restrito à reprodução. Para ele, o mal não está no corpo, nem no sexo, nem mesmo no orgasmo, mas, na falta de controle sobre si-mesmo no uso dos prazeres. Foucault retoma e desenvolve as ideias de Santo Agostinho.



Tendo claras as concepções agostinianas sobre sexo, sexualidade e concupiscência, que foram dominantes na teologia medieval, podemos entender melhor os motivos que levaram Hildegard von Bingen a se aliar a Bernardo de Claraval no combate aos cátaros.


Agostinho foi o expoente que lançou as bases teológicas para compreensão do sexo e dos desejos, além de suas implicações para o casamento, por isso, ele foi a fonte onde beberamos maiores intelectuais medievais, entre eles Hidegard von Bingen.


Hildegard dava muita importância ao casamento, por ser a maneira adequada para cumprir a ordem divina de preservação da espécie. Para ela, as relações sexuais são meritórias, desde que destinadas à reprodução. E é exatamente nesse ponto que ela abre divergência com os cátaros, que desprezavam a procriação, o nascimento de crianças para este mundo imundo, que era igualmente desprezado.


Os cátaros não condenavam o prazer sexual para as pessoas comuns, que ainda estavam presas à matéria, no entanto, eles se opunham fortemente ao relacionamento sexual para aqueles e aquelas que já tinham escolhido o “caminho”.


Hildegard não menospreza a sexualidade, ao contrário. Assim como Agostinho, ela via o casamento como única possibilidadede uma vida sexual legítima, que consagra valores de fidelidade, pudor, amor e apoio recíproco para cuidar da prole – os filhos de Deus.


Os cátaros rejeitavam o conceito do Inferno, que, para eles, era aqui mesmo, no próprio mundo. Era no “fogo do mundo” que as almas deviam purificar-se, através de sucessivas reencarnações, até atingirem um grau de sabedoria que os levaria à espiritualidade, escapando desse mundo material e assim chegar ao paraíso. Para isso era preciso uma vida ascética. Aqueles que conseguiam eram denominados "Perfeitos" e “Perfeitas”. herdeiros ou continuadores dos apóstolos, o que lhes dava o poder de absolver os pecados através da cerimônia do “consolamentum”, que era uma benção, único sacramento na religião cátara.


Os cátaros eram dualistas, para eles havia um mundo bom, que era espiritual, e um mundo mau, o terreno. O sexo e a concupiscência eram o divisor de águas destes dois mundos. O mundo material era mau e foi criado pelo Demiurgo, que também criou os instintos e o desejo de posse: Eu, meu, minha: meu marido, minha mulher, meus filhos, minhas terras, meu rebanho, minha igreja …


Os cátaros entendiam que o corpo e a alma eram materiais demais para subirem ao paraíso. Somente o espírito liberto da matéria poderia fazer essa viagem, desde que se desvencilhasse das amarras terrenas. Trazer crianças ao mundo era manter a humanidade presa à matéria, portanto, o casamento e o batismo não eram bem vindos.


Para Hildegard isso era uma abominação, pois somente através do sacramento do casamento os seres humanos poderiam cumprir a ordem divina e ao mesmo tempo se purificarem do desejo desmedido ao se manterem longe da luxúria. Por outro lado, Hildegard reconhecia que parte da Igreja se entregava sem controleao uso de todos os prazeres.



Os cátaros não acreditavam na eucaristia, porque para eles, o corpo e o sangue eram matéria, portanto rejeitada. Negavam a eucaristia porque não acreditavam no aspecto humano de Cristo. Isso para Hildegard era uma heresia, pois além de verdadeiro Deus, Jesus Cristo era verdadeiramente humano. Para combater tais concepções, a missa, o batismo e a eucaristia foram temas longamente tratados em seus livros, indicando que ela estava respondendo aos problemas de sua época e combatendo aquilo considerava heresia.


Os cátaros faziam distinção entre Jesus, feito de corpo e alma e o Cristo, que é puro espírito. Os cátaros acreditavam que o Cristo não tinha de fato um corpo material. Sendo um “puro espírito”, ele não poderia ter existido nesse mundo. Por essa razão os cátaros não acreditavam na comunhão. Além de ser feita de farinha e água, coisas materiais, ela representa a materialidade do corpo e do sangue de Cristo, que os cátaros rejeitavam por serem matéria.



Tal qual Hildegard, os cátaros pregavam a castidade e a pobreza como condição obrigatória para a salvação, da qual acusavam os padres de pregarem, mas não cumprirem. Já o clero acusava os cátaros de serem contra a família, contra os sacramentos, luxuriosos e seguidores do Diabo. Por tudo isso eram chamados de heréticos.


No entanto, o conceito de heresia não foi invenção medieval. Por volta do ano 180 o Bispo Irineu, de Lugduno (hoje Lyon, França), escreveu o livro “Sobre a detecção e refutação da chamada Gnosis”, mais conhecido como “Contra Heresias”, onde elabora um ataque minucioso ao gnosticismo, um movimento que ameaçou seriamente a Igreja primitiva, cunhando o termo “hereges” para os seus seguidores.


Até a descoberta da Biblioteca de Nag Hammadi em 1945, o livro de Irineu era a melhor descrição do Gnosticismo que se tinha na época do cristianismo primitivo. Os Gnósticos acreditavam que Cristo e Jesus eram dois entes distintos, temporariamente unidos, doutrina que se se chamou Docetismo. Eles também aderiam à crença de que antes da Crucificação, Jesus havia deixado seu corpo. Assim, eles acreditavam que Jesus não tinha realmente um corpo físico e portanto não teria tido uma ressurreição física, mas sim espiritual.


Diante das denúncias de opulência, luxúria e concupiscência dirigidas contra ela pelos cátaros, a Igreja se sentiu acuada, sobretudo no exato momento em que as grandes catedrais começaram a ser levantadas. Ao lado disso, a Igreja era acusada de simonia, que é a compra ou venda de indulgências, sacramentos, e até mesmo de cargos eclesiásticos, inclusive o de papa.



Os cátaros acusavam a Igreja de pregar aquilo que ela mesma não fazia, sobretudo em relação ao sexo. Os fiéis eram obrigados a confessarem seus pecados, principalmente os sexuais, uma verdadeira fixação na época. Já os clérigos, de padre ao papa, pintavam e bordavam fazendo de cada sacristia um bordel, de cada confessionário umaarmadilha, sobretudo para as mulheres.


O fato de reconhecer que tais denúncias eram verdadeiras, a Igreja medieval foi forçada a promover uma reforma, que ficou conhecida como Reforma Gregoriana, que aconteceu de forma simultânea às perseguições e massacres contra os cátaros e as beguinas. Como vimos na semana passada.


Durante o Império de Carlos Magno (800-814), os bispos eram considerados meros agentes do Imperador, tal qual acontecia no Império Romano. Como os bispos estavam encarregados de recolher os tributos para a Igreja, essa prática rapidamente se degradou em simonia, pois os cargos começaram a ser vendidos.


Por volta do ano 900, quando os mosteiros estavam em profunda decadência, o duque Guilherme de Aquitânia, senhor feudal da Borgonha e ancestral de Eleonor de Aquitânia, renunciou ao direito de propriedade de uma grande área de terra e doou-a ao Papa Sérgio III, para a construção de um mosteiro que ficou conhecido como Abadia de Cluny.


O papado precisava reafirmar seu controle sobre o clero. Como cada mosteiro precisava de terras, era necessário o patrocínio de um senhor feudal local, que geralmente exigia o direito de interferir nos assuntos do mosteiro, inclusive da escolha do abade. Quanto maior o domínio do senhor feudal, maiores eram suas prerrogativas.


Por isso Cluny nasceu em total liberdade. Essa abadia promoveu uma profunda renovação espiritual e teve um papel de destaque na Reforma da Igreja, por estar completamente desvinculada das amarras de vassalagem, A abadia só obedecia ao papa.



As bases da Reforma da Igreja, diante da sua subordinação ao poder secular, foram lançadas pelo papa Gregório Magno no ano 600, mas só prosperaram 400 anos depois, com o papa Gregório VII (1073 e 1085), que lançou em 1075 o Dictatus Papae, que significa Decretos do Papa, que tratam da autoridade, competência e poderes do Papa, tanto no domínio temporal como espiritual, proibindo que leigos nomeassem bispos, sob pena de excomunhão dos infratores. Por ter sido lançado por Gregório VII, esse documento deu nome à Reforma Gregoriana, que na verdade começaram antes dele e continuaram após sua morte.


As ideias principais da Reforma Gregoriana foram:

1) O Papa é senhor absoluto da Igreja, estando acima dos fiéis, dos clérigos e dos bispos e acima dos concílios;

2) O Papa é senhor único e supremo da Igreja, todos lhe devem submissão em questões religiosas, incluindo os príncipes, reis e imperadores;

3) A Igreja romana nunca cometeu nem comete erros, reafirmando a posição do papa Leão IX, antecessor de Gregório VII e promotor do Cisma do Oriente, quando a Igreja Ortodoxa se separou da romana. Francisco está tentando reparar esse “erro”.



Apesar de estar em meio à reforma chamada gregoriana, a Igreja medieval não deu o braço a torcer. Ao mesmo tempo em que decretava novas regras de funcionamento, a fim de estabelecer maior controle sobre a conduta do clero, ela se lançou furiosamente contra aqueles que a denunciavam. Com um apetite feroz para distorcer os depoimentos arrancados sob tortura, a Igreja demonizou as seitas que a acusavam de opulência, luxúria e devassidão. Assim como Irineu, nos primórdios do cristianismo, a Igreja medieval chamou seus opositores de “heréticos”.



Na guerra contra os cátaros a Igreja estava dividida em duas: A legítima, católica romana, e a do Anticristo, a igreja dos hereges. Já os cátaros chamavam a si mesmos de os “Pobres de Cristo”, “bons homens” e “boas mulheres” que se insurgiam contra a concupiscente, poderosa e opulenta Igreja de Roma. Em Hildegard vemos estas duas morais em choque. Ela acreditava piamente na salvação através da ascese monástica, através da privação de todos os prazeres para conseguir o objetivo maior, a chegada ao céu, à Jerusalém celeste, à Cidade de Deus propagada por Agostinho de Hipona. Embora fosse defensota do sacramento do casamento, regrado e mantido para a procriação, ele se destinava aos que não conseguiam manter o controle total sobre seus desejos.


Hildegard se posiciona à favor da Reforma Gregoriana, dos monges de Cluny e dos monges cistercienses, comandados por Bernardo de Claraval, que estavam combatendo os hereges. Ela acreditava que a Reforma Gregoriana disciplinaria o clero, que combateria a corrupção e a luxúria, que ela não negava, nem acobertava, muito pelo contrário. Por não ter “papas na língua”, Hildegard era chamada para fazer suas pregações sobre o sacramento do casamento e a virtude da abstinência para aqueles que haviam optado pela vida celibatária. Estes deviam seguir as regras impostas pela vida monástica.


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Hildegard defendia o casamento como meio disciplinador dos desejos e não escondia sua objeção aos desmandos do clero e suas relações espúrias com as coisas terrenas. Ela convocava o clero a se dedicar à função essencial da Igreja, que é ensinar o caminho da salvação. Como os prelados farão isso se eles próprios são dominados pelos desejos?



Hildegard defendia que a prole deve ser gerada com amor, sendo o prazer uma dádiva divina para ambos no ato da criação. Para ela, o sentimento que une ambos no momento da concepção resultará em uma criança mais amorosa. O orgasmo feminino está diretamente relacionado com as qualidades espirituais com que a mãe vai conceber, gerar e cuidar dos filhos. Crianças amorosas estão mais aptas para trilhar o caminho e conseguir a “salvação”, segundo ela. Hoje a psicologia diz algo semelhante.


Hildegard era atenta aos cuidados do corpo, sobretudo nas doenças, por isso ela estudou plantas, ervas, óleos e minerais para a cura das doenças. Foi dentro desse arcabouço do cuidado que ela defendia a ideia de que o corpo é fundamental para a salvação da alma, que ela está profundamente ligada ao corpo e é dependente dele. Mas a libertação alma só poderá acontecer se o corpo estiver totalmente livre das amarras mundanas. Por isso ela não podia aceitar a negação do corpo, do prazer e dos sacramentos tal como faziam os cátaros.



Concluindo, a Idade Média foi um período de grandes lutas travadas dentro e fora da Igreja. Ao contrário do que muitos pensam, a demonização do sexo não aconteceu no período medieval, embora a imagem do diabo tenha sido uma criação daquele período.


A dualidade entre um Deus Bom e um Deus Mau, surgiu entre os seguidores de Zoroastro - antiga religião persa fundada no sétimo séculos aC. A luta entre os Filhos da Luz e os Filhos das Trevas vem desde muito antes de Cristo, através dos gnósticos e depois com os essênios. Porém, foi na idade Média que o Deus Mau virou Diabo e com ele o sexo foi demonizado. Essa demonização havia começado milênios antes, com a chegada do monoteísmo e da dominação patriarcal. Para se impor, o monoteísmo teve que acabar com a Grande Mãe.

A adoção de um deus monoteísta em detrimento do politeísmo veio muito antes do judaísmo, que gerou o cristianismo. Os rituais consagrados à Grande Mãe foram abominados pelos monoteístas. Consciente ou não disso, o cristianismo herdou a concepção judaica de que os rituais de fertilidade praticados pelos pagãos eram coisas abomináveis e impróprias ao culto do Deus Único.


Quando o Império Romano adotou o cristianismo, a repressão aos costumes pagãos veio no mesmo pacote. No entanto, quando a Europa foi sacudida pelas invasões bárbaras ocorridas entre os anos 300 e 800 pelos povos germânicos, que ainda praticavam os rituais da Deusa-Mãe, essas duas morais entraram mais uma vez em choque. Os germânicos, para os quais a sexualidade não era demonizada, entraram em choque com a moral cristã.


Dois mil anos depois de Cristo, ainda estamos vivendo situações que remontam ao início do cristianismo, para não dizer que elas começaram muito tempo antes.


Bibliografia utilizada:

1) Corpo de prazer, corpo de desejo: A teoria agostiniana do casamento relida por Michel Foucault. Artigo de Arianna Sforzini

2) Breve introdução a uma história da libido

http://pepsic.bvsalud.org/scielo.php?script=sci_arttext&pid=S0100-34372011000200003




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