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2 - A GRANDE MÃE NA PRÉ-HISTÓRIA

Atualizado: 29 de jan. de 2022



Estatueta de 23 000 anos descoberta em 2019 em Amiens, França.



Se no passado longínquo a representação da divindade era feminina, quando e como a Grande Mãe foi transformada em Deus Pai?


As representações humanas mais antigas que se conhece são pequenas estatuetas que datam de aproximadamente 26 mil anos atrás encontradas na Europa central. Eram figuras femininas, corpulentas, que destacavam sua função reprodutora, grandes seios, ancas avantajadas e ventre proeminente. Esculpidas na rocha, em ossos ou marfim, ou modeladas em argila, estas figuras foram chamadas de Vênus do Paleolítico (palaiós=antigo, lithos=pedra, "pedra antiga").


O corpo feminino foi o primeiro símbolo usado pelos humanos para representar a fertilidade, a capacidade de gerar a vida, e certamente a base para as primeiras formulações acerca de uma divindade protetora, que há 26 000 anos era a Grande Mãe.


Essa data (26 000 anos) é base de outro enigma: O Grande Ano de Platão, que se baseia no fenômeno astronômico chamado precessão dos equinócios, mencionado pela primeira vez pelo astrônomo grego Hiparco de Niceia (190-120 aC), matemático da Escola de Alexandria, local onde viveu.


Entretanto, a precessão dos equinócios é um fenômeno celeste conhecido desde a mais remota antiguidade. Os sumérios e egípcios já o conheciam como fica patente em um tablete de argila encontrado na Mesopotâmia.


O que é precessão dos equinócios? O planeta Terra realiza alguns movimentos importantes, o de rotação em torno do próprio eixo gerando a sucessão dos dias e das noites, o de translação em torno do Sol, que cria a sucessão das estações do ano, cujo conhecimento era fundamental para os povos antigos, e um terceiro movimento comparado ao bamboleio de um pião, descrevendo no céu um lento movimento circular no sentido leste-oeste, que se completa no período aproximado de 26.000 anos.



Ao longo deste vasto ciclo, a linha imaginária do eixo terrestre volta-se sucessivamente para diferentes regiões do céu, apontando para diferentes estrelas no seu longo curso de 26 mil anos. Atualmente o eixo aponta para a estrela Polaris, a Alfa da Ursa Menor, mas, dentro de 12 ou 13 mil anos, voltará a apontar para a estrela Vega, da constelação da Lira.


Este Grande Ano Sideral já era mencionado na Mesopotâmia e nos livros sagrados do hinduísmo. Embora bem mais longevos que a precessão dos equinócios (24 a 26 mil anos), os Vedas dividem o ciclo cósmico em quatro Yugas (idade ou era em sânscrito): Satya Yuga 1.728.000 anos,Treta Yuga 1.296.000 anos, Dvapara Yuga 864.000 anos e Kali Yuga 432.000 anos. Estas yugas significam: Era de Ouro, Era de Pata, Era de Bronze e Era de Ferro. Eles chegaram a estes números através de analogias. Por exemplo, um ano humano equivale a um dia divino e 12 000 anos divinos equivalem a 4 yugas.


O valor de 24.000 anos se se aproxima do cálculo astronômico moderno da precessão dos equinócios, que leva aproximadamente 26 mil anos. Assim, o ciclo yuga pode ter alguma base em ciclos terrestres conhecidas. Srimad Bhagavatam 3.11.19 (https://pt.qwe.wiki/wiki/Yuga)


Segundo os ensinamentos hindus:



Tais ensinamentos podem ser comparados com as concepções gregas sobre o tempo.



The Great Year - O Grande Ano Sideral de Platão



Fazendo uma analogia entre o Grande Ano Sideral com o período de 24 horas, quando o movimento de rotação do sol em torno do próprio eixo gera a sucessão dos dias e das noites, suas duas metades de 12 000 anos, uma ascendente e outra descendente, são análogas às 12 horas do relógio, dia e noite, uma se carateriza pela luz do dia e a outra pela escuridão da noite. Tanto num caso, como no outro, não há uma linha demarcatória, muito difícil é determinar onde acaba um e começa o outro.


O Grande Ano Sideral pode variar entre 24 mil a 26 mil anos. Os estudos astronômicos atuais também têm dificuldades para estabelecer um valor preciso. Para alguns, a precessão dos equinócios tem a duração de 25 770 anos. Outros pesquisadores trabalham com durações ligeiramente diferentes.


Mas as analogias não param aí. A alternância das posições demarcadas pelo eixo terrestre ao apontar para as estrelas Vega e Polaris em seus semicírculos de aproximadamente 12 000/13 000 anos indica que há 24 mil/26 mil anos, quando o eixo terrestre apontava para a estrela Vega os humanos estavam retratando o corpo feminino, a grande matriarca, a Grande Mãe, as Vênus paleolíticas que os arqueólogos encontraram em nossa época.


Três estatuetas de Vênus europeias da era do gelo de 25.000 anos atrás. Da esquerda para a direita: Vênus de Dolni-Vestonice, tcheca. Vênus de Willendorf, Áustria. Vênus de Les pugue, França. www.ancient-wisdom.com


Não deixa de ser fascinante colocar lado a lado duas informações que possuem o mesmo referencial de tempo: 25.000 anos. Se o Grande Ano tem aproximadamente 25 mil anos, esta é a idade atribuída às estatuetas femininas mais antigas encontradas até o momento.


Os achados arqueológicos dão a certeza que entre 25 mil e 10 mil anos atrás a Grande Mãe reinava inconteste. Se este dado for cruzado com a estrela para a qual aponta o eixo terrestre verifica-se que há 25.000 anos era a estrela VEGA quem ocupava esse lugar.


Coincidência ou não, quando Vega era a estrela polar, o Princípio Feminino era dominante. Já com Polaris o Princípio Masculino é predominante.


Outro aspecto significativo da simbologia da estrela Vega são as lendas, os mitos e os resquícios culturais que sobreviveram ao longo da história na forma de festivais deixados pelas civilizações que antecederam a nossa.


A oposição entre a estrela Vega e a estrela Polaris foi registrada num mito japonês, que se transformou em um festival que tem origem na China, onde recebe o nome de “Qi xi”, considerado o Dia dos Namorados chinês. No Japão, tal festival é comemorado no sétimo dia do sétimo mês do calendário lunar (entre julho e agosto). Assim diz o mito:


Era uma vez uma Princesa Tecelã chamada Orihime, filha de Tenkou, o Rei Celestial e um Príncipe Pastor chamado Hikoboshi, que viviam na Via Láctea. Em certo momento se encontraram e se apaixonaram um pelo outro. Os dois sempre foram trabalhadores e responsáveis com seu trabalho, porém desde que começaram a viver um fulminante romance, o jovem casal deixou de cumprir com as obrigações e tarefas diárias como de costume. Isso provocou a ira no rei Tenkou, que resolveu separá-los em lados opostos do rio Amanogawa (Via Láctea). Orihime chorou e implorou muito a seu pai, que se comoveu e concordou em deixá-los se encontrar somente uma vez por ano, no dia 7 do mês 7 do calendário lunar. Em agradecimento à dádiva recebida, o casal atende aos pedidos vindos da Terra, feitos em papéis coloridos (origami) pendurados em bambus (sassadake). Acredita-se que se nesse dia estiver chuvoso, Orihime e Hikoboshi não podem ver um ao outro e o encontro só poderá acontecer novamente no ano seguinte.


Na mitologia japonesa, este casal é representada por duas estrelas situadas em lados opostos da galáxia, que realmente só são vistas juntas uma vez por ano: Vega (Orihime) e Altair (Kengyu). Na verdade existem festivais semelhantes em outros países do Oriente e até do Ocidente, inspiradas no folclore chinês da “Princesa e o Pastor” ou nas estrelas Vega e Altair. No Brasil, o Festival das Estrelas é realizado desde 1979 na praça da Liberdade, em São Paulo, sempre no mês de julho.


Embora se afirme que o mito japonês tenha sido originado na China, por volta de dois mil anos atrás, esta referência é muito mais antiga. Tanto os Sumérios como Babilônios se referiam à constelação da Lira como sendo “Idxu Zamana”, a Águia. Esta tradição foi herdada pelos árabes, que descreviam essa constelação como sendo uma Águia de Asas Fechadas, “Al Nasr al Waki”, de onde provirá o nome “Vega”. Esta denominação foi seguida posteriormente por Gregos e Romanos. De acordo com a mitologia grega a primeira lira teria sido fabricada pelo deus Hermes, filho de Zeus e de Maia, uma das Plêiades, com uma concha de tartaruga que encontrou nas proximidades da sua caverna no Monte Cilene, na Arcádia. Hermes limpou cuidadosamente a concha e fez-lhe entalhes nos bordos onde prendeu sete cordas feitas com tripas de vaca.


A magnitude aparente de Vega é definida como zero e usada como referência para o estudo das demais. Ela é a estrela mais brilhante da constelação de Lira, separada do nosso sistema solar por 25 anos-luz, o que a torna uma das estrelas mais próximas do nosso sistema solar. Devido à precessão dos equinócios daqui a cerca de 12.000 anos Vega será a estrela polar, posição que é ocupada atualmente pela estrela Polaris, a alfa da constelação da Ursa Menor.


Na mitologia Hindu, a estrela Polar é Dhruva (a palavra significa vara, mastro), assim, em muitas mitologiaso fim da cauda da Ursa Menor se localiza exatamente no "centro" por onde o eixo da Terra encontrava a sua direção.


Na mitologia grega, o filho de Calisto (a Ursa Maior) foi colocado no céu por Zeus. As constelações da Ursa Menor e Ursa Maior estariam associadas à figura das ninfas que teriam cuidado de Zeus enquanto ele ainda era um bebê. Diz o mito que Zeus era filho de Reia e Cronos, que devorava seus filhos ao nascer devido à crença de que um deles iria destroná-lo. Diante de tamanha crueldade, Reia engana Cronos e entrega Zeus aos cuidados das ninfas Amastreia e Ida, que o alimentam com o leite da cabra sagrada Amalteia. Conta-se que o bebé era guardado por um grupo de soldados que batiam com as suas lanças nos escudos para evitar que o choro da criança fosse ouvido por Cronos. Tendo destronado o pai, Zeus homenageou suas amas Amastreia e Ida colocando as duas ninfas no céu, representadas pelas constelações da Ursa Maior e Ursa Menor, ficando a cabra Amalteia conhecida como a estrela “Capella”, da constelação do Cocheiro. Para a doutrina espírita esta estrela é muito importante, pois dela vieram os “degredados” para continuarem no planeta Terra seu plano de elevação espiritual.


Outro simbolismo que permanece até os dias de hoje tem origem nesse mito. Expressando sua gratidão, Zeus concedeu um poder especial aos chifres de Amalteia: aquele que os possuísse poderia obter tudo o que desejasse, originando daí a lenda do ‘Corno da Abundância’ ou “Cornucópia”, também chamado “Corno de Amalteia”. A cornucópia ficou imortalizada no formato tradicional do buquê de noiva, símbolo da abundância, estrategicamente portado diante do ventre.

Mas, voltando ao mito, qual a razão de Zeus ter representado suas ninfas-amas como ursas?


Como a maioria das mães na natureza, as fêmeas de urso polar são mães solteiras. Depois do acasalamento o parceiro abandona a fêmea e, se esta não tomar cuidado, sua cria se tornará a refeição do macho. Depois de uma longa gestação a mãe ursa dá nascimento aos filhotes no fim do inverno no Polo Norte, protegendo-os do clima implacável e alimentando-os com seu leite, o que lhe acarreta uma dramática perda de peso, que só será recuperado durante o verão.





O interessante nas representações da constelação das Ursas, tanto a Menor quanto a Maior é o tamanho da cauda, que não é condizente com a do animal real. Diz a lenda que Zeus pegou-as pela cauda atirando-as em direção ao céu. A Ursa Menor foi parar bem no centro do Polo Norte Celeste e sua cauda esticada resultou do peso do seu corpo.


Atualmente o eixo da Terra aponta para a estrela Polaris, a Alfa da Ursa Menor, mas, dentro de 12 mil anos, voltará a apontarpara a estrela Vega, completando mais um ciclo de 26.000 anos. A volta para Vega conduzirá igualmente para o retorno ao sagrado feminino? Isso não se sabe, contudo, mais importante que isso é entender como a Grande Mãe foi transformada em Deus Pai ao londo da trajetória precessional do eixo da Terra nos últimos 12 mil anos.


Ocorre que os últimos 12 mil anos também são emblemáticos. É o período histórico em que a ciência constata o último período glacial, também referido como Idade do Gelo, que ocorreu aproximadamente entre 100.000 a 12.000 antes da nossa era, ao final do qual se constata o aparecimento da agricultura e da chamada Revolução Agrícola. Há um consenso que até então os seres humanos eram nômades, caçadores-coletores. Como se pode ver, os acontecimentos planetários e humanos interagem, não se constituindo em fenômenos isolados.


O período que começou há 12 mil anos foi chamado de Neolítico e vai do décimo milênio aC, quando se presume aconteceram os primeiros assentamentos humanos, como Gobekli Tepe, Çatalhüyük e outros. Nesse período ocorre também a domesticação de animais. A sedentarização fez com que surgisse a divisão do trabalho entre homens e mulheres. Eles cuidam da segurança, caça e pesca, enquanto elas plantavam, colhiam, cuidavam dos filhos, dos velhos e dos feridos. Há um consenso entre os estudiosos que essa situação perdurou até oquarto milênio aC, período em que se deu o surgimento das cidades-estados na Suméria, elevando o nível civilizatório para outro patamar. O segundo milênio aC marca o fim do Neolíticoe registram as grandes migrações indo-arianas, palco do surgimento das línguas indo-europeias na Índia, Oriente Médio e Europa.


Por volta de 2.000 aC Abraão migrou de Ur, na Mesopotâmia, para Canaã. Essa viagem marcará o início do PATRIARCADO. Terá sido também o fim do MATRIARCADO?



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